Do apagar incêndios à evolução contínua: o impacto de um Watcher na rotina de TI

Sumário

Em muitas organizações, a área de TI desempenha um papel essencial para manter o negócio em funcionamento. Sistemas críticos, integrações, fornecedores, chamados, mudanças, incidentes, demandas regulatórias e solicitações das áreas de negócio chegam todos os dias, em ritmos diferentes e com níveis de urgência variados.

Nesse cenário, é comum que times tecnicamente fortes acabem presos a uma rotina de reação: resolver o que chega, apagar incêndios, atender urgências, participar de reuniões recorrentes, responder a dúvidas recorrentes e manter a operação em funcionamento. O desafio é que, quando tudo parece urgente, sobra pouco espaço para estruturar melhorias, organizar conhecimento e evoluir a forma de trabalho.

Foi nesse contexto que a atuação como Watcher se mostrou relevante.

Mais do que observar, o Watcher atua como um parceiro de reflexão, provocação e direcionamento. É alguém que entra na rotina do cliente para ouvir, entender o funcionamento real da operação, identificar gargalos e apoiar a construção de caminhos mais simples, sustentáveis e aderentes à maturidade da organização.

Entender antes de propor

Um dos primeiros passos dessa atuação foi compreender como a área de tecnologia estava estruturada, quais eram as responsabilidades de cada torre, como as demandas chegavam, quem tomava decisões e onde estavam os principais pontos de acúmulo.

Essa escuta inicial é fundamental. Antes de sugerir qualquer mudança, é preciso entender o contexto: a cultura da empresa, o histórico da área, a distribuição de papéis, os fluxos de aprovação, a relação com as áreas de negócio e os limites reais do time.

Em ambientes complexos, muitas vezes o problema não está na falta de competência técnica. Pelo contrário: há times experientes, pessoas com profundo conhecimento do negócio e profissionais comprometidos. O desafio está em transformar esse conhecimento em processos mais acessíveis, compartilhados e sustentáveis.

Quando o conhecimento está concentrado demais

Um dos temas mais recorrentes nas conversas foi a concentração de conhecimento em poucas pessoas. Em áreas de TI, isso acontece com frequência: determinados sistemas, fornecedores ou processos acabam ficando sob domínio de um ou dois profissionais. Enquanto essas pessoas estiverem disponíveis, a operação segue. Mas em situações de plantão, férias, saída de colaboradores ou incidentes fora do horário comercial, a dependência se torna evidente.

O ponto não é apenas documentar. Muitas empresas já possuem documentação em grande volume. O problema é que, em muitos casos, ela está desatualizada, é extensa demais ou está escrita em um formato que não atende à necessidade de quem precisa resolver um problema rapidamente.

Documentação útil precisa ter propósito.

Um documento para uma política corporativa não deve ter o mesmo formato de um checklist de plantão. Um manual técnico não deve ser igual a um guia para o usuário final. Uma base de conhecimento só gera valor quando considera quem vai consumir a informação, em que momento e para qual decisão.

Durante a atuação, uma das recomendações foi separar melhor esses tipos de documentação: materiais completos continuam importantes, mas precisam conviver com guias rápidos, checklists, orientações objetivas e conteúdos de apoio ao atendimento.

IA como aceleradora, não como substituta

Outro ponto importante foi o uso de inteligência artificial como apoio à gestão do conhecimento.

A IA pode ajudar a resumir documentos longos, transformar conteúdos extensos em guias práticos, apoiar a revisão de bases de dados antigas e até facilitar o autosservço em portais de atendimento. Mas ela não substitui a curadoria humana.

A recomendação foi usar a IA como uma aceleradora: ela organiza, resume e sugere. Depois, especialistas revisam, validam, ajustam e publicam. Assim, a organização consegue reaproveitar uma base de conhecimento já existente, reduzir o esforço inicial e tornar o conteúdo mais consumível.

Menos reuniões de status, mais gestão por exceção

Outro tema forte foi a produtividade das reuniões. Em operações com muitos fornecedores e sistemas, é comum que analistas passem horas em reuniões recorrentes de acompanhamento. Muitas dessas reuniões, porém, acabam virando conversas de status: “Como está aquela demanda? “Qual era mesmo aquele item?” “Alguém tem algum ponto?”.

Esse tipo de rito consome tempo de quem precisa executá-lo e nem sempre resulta em uma decisão. A proposta discutida foi simples: transformar status em relatório e reservar uma reunião para exceções, desvios e decisões.

Proteger o time também é governança

Em uma das conversas, surgiu um ponto muito relevante: a necessidade de proteger os analistas de interrupções excessivas, reuniões pouco produtivas e demandas que poderiam ser resolvidas pelas próprias áreas de negócio.

Essa proteção não significa criar barreiras por comodidade. Significa preservar a capacidade produtiva do time para aquilo que realmente exige conhecimento técnico, análise crítica e atuação especializada.

O papel da liderança na transformação cultural

Outro aprendizado importante foi que mudanças desse tipo não ocorrem apenas por meio de uma ferramenta ou de um processo. Elas dependem de liderança. Foi discutido o papel do gestor como alguém que cria contexto, dá direção, escuta o time e também ajuda a desenvolver maturidade.

Cultura, trabalho remoto e retenção de talentos

A atuação também abriu espaço para discutir temas culturais, como modelo de trabalho, confiança e retenção de talentos. O ponto central não é defender um modelo único para todas as empresas, mas provocar uma reflexão: se o trabalho é medido por entregas, colaboração e resultados, a gestão também precisa evoluir para acompanhar essa realidade.

Pequenas provocações, grandes efeitos

O trabalho do Watcher não se resume a entregar um plano fechado ou impor uma metodologia. Muitas vezes, o maior valor está em fazer boas perguntas:

  • Por que essa reunião existe?
  • Quem realmente precisa participar?
  • Esse relatório mostra desvio ou apenas volume?
  • Essa documentação ajuda quem está em plantão?
  • Esse processo ainda representa a realidade atual?
  • O conhecimento está na cabeça de uma pessoa ou está disponível para a operação?

Governança ágil é fazer o básico funcionar bem

Um dos principais aprendizados dessa atuação é que governança não precisa começar com grandes estruturas ou processos complexos. Ela pode começar com ações simples:

  • Padronizar relatórios de fornecedores;
  • Reduzir reuniões improdutivas;
  • Revisar documentos antigos com apoio de IA;
  • Criar checklists rápidos para plantão;
  • Organizar bases no Confluence ou SharePoint;
  • Proteger o foco dos analistas.

O valor do Watcher

A atuação como Watcher mostra que a transformação começa quando alguém ajuda o time a olhar para a própria rotina com mais clareza. O Watcher atua como um catalisador: ajuda a transformar conversas em ações, dores em iniciativas e conhecimento disperso em uma base estruturada.

Foto de Marcelo Orlandeli

Marcelo Orlandeli

Lapatonia Watcher & Head of Service Delivery na Nimble Evolution

Você pode se interessar:

Sumário Em muitas organizações, a área de TI desempenha um...

Leia mais

Sumário Transformação Digital no Setor Financeiro: Como a Migração para...

Leia mais

Sumário O Coda reúne suas equipes e suas ferramentas O...

Leia mais

MTBF, MTTF e MTTR: o que são, por que importam...

Leia mais
Compartilhe esse artigo:

Fale conosco

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *